terça-feira, 24 de julho de 2018

Ondas


 As ondas avançam sem que demos por isso, mas avançam para que demos por isso, enquanto isso avançam para que pensemos dar por isso e no fim demos pelo mudar da cor da bandeira.
 Uma onda é um atravessar de verdades que rouba os pensamentos aos afortunados e uns segundos de visão aos fugitivos, é um estado de espírito cada vez mais ofegante. Faz-se de mar porque se pode fazer de tudo, mas nunca precisou de explicar o porquê da água toda, somos cegos às vezes. Por isso mesmo não é o sal da onda que nos atrai os olhos, e isso mostra-nos que o mar não é em nada feito de cerveja.
 Não há praia que esteja completa sem um pouco de abraços, é esse o resumo do sentido, de novo as ondas passaram e eu estou mais forte.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O ilegal de Lisboa


Tens nome talvez de beto,
És filho bastardo da mais bela das mulheres,
Vives a cultura das culturas das variadíssimas culturas portuguesas mesmo muito para lá de Camões.
És o restaurante chinês ilegal,
És aquela loja onde talvez possamos a vida.

És o talvez eterno ilegal de Lisboa,
Que alguém nomeou terra de alguém,
Vives de uma beleza sem Belém,
Até ao dia em que o homem aí já voa.

És tu a terra que nunca se apregoa,
Que alguém chamou terra de ninguém,
Do cozido à portuguesa à quinoa,
Talvez sejas um mal que veio por bem.

Hnnnnffff,
Vida boa nesta terra,
Agora sim chegou a cabeça,
Entre estudo e vida vivem muitos fora da terra e dentro do céu,
Ou se calhar…
Bem,
Reprovam-se mais faltas de sabe-se lá o quê,
Talvez sejas a terra do bravo,
Mas há sequer Alfama em ti nesse teu canto?

Seja(s) como for és terra de visitas inocentes,
Porque talvez seja engraçadamente giro,
Hás-de morrer a ser todo o nosso país.
És muito desorganizado como qualquer necessidade que conhecemos como todos nós conhecemos,
Resumes a cidade em reais partes,
Mas talvez sejas um perigo para a gente… pff,
Cães na rua, pessoas na rua,
Vive-se mais nas boas coisas e tu con(cordas).

Pois muito bem, que se faça farinha,
A ver se por aqui não se anda na linha,
Pois ainda não se sabe, o que és de terra.

Tudo por tudo o que não se avizinha,
Para se ter o que a nossa Lisboa já tinha
Bem para dar-te a vida, que não aterra.

Talvez deixes de ter nome de beto,
Talvez obtenhas o mais recente visto,
Logo se vê ou… diz,
Que sejas somente “O de Lisboa”.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Menina

Menina que bailaste a acompanhar o pássaro verde,
que conheces a chave que não abres,
o que há mais neste planeta é (a)prendizagens com o ar,
e o que há de pássaro em ti é esse teu rugido de leão,
menina que bailas ao som da pena,
e a rocha?
És tu! Serena
enquanto vais desacenando ao ar que respiramos,
porque esse nunca passa sem se ouvir,
sem incêndios,
quanto mais leves forem os teus passos
mais sentirás que aprendeste mesmo a voar.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Pêndulo


Porque a mão é direita,
Mas o coração é esquerdo,
De alguma forma…
Temos de não cair.

sábado, 7 de julho de 2018

Esparsa


Isso é fome, ou é retraça,
Da qual já não pintei a massa
Nem tentei fazer de novo?
Cada gota que envidraça,
Faz-me nunca ser um estorvo.
A cada vento que passa,
Deixo de ser um mero corvo.
Sem saber esperar uma esparsa,
Ou viver do que eu não faça,
Pois que a elite seja o povo!

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Tchau


Um dia cheguei,
Sentei a terra deste chão,
Por isso volto já

Sol(o)

Com que então caíram,
Então já atravessaram o sol ao sabor da bicicleta,
Mas ninguém sabe dizer-vos o espaço,
Ninguém vos acreditou quando alcançaram cantos opostos de todo esse sol.

O que interessou foi a vossa vontade de jogar à apanhada,
Porque sempre restava algo para encontrar,
E encontrar no próprio sopro do interior,
O reflexo deste rio
Foi tudo, mas mais ainda era o que contava e fez questão de contar as histórias que não conhecemos,
Vocês saberão.

A verdade é que já foi tudo verdade,
Mas nada saberemos para lá do que respirámos às vezes,
Não se manda mandar mas manda-se mandar,
E esse essencial é essência se é-se louco,
Pois entretanto estiveram o solo,
Não se cheira,
Mas vocês ouvem o chamamento que é vosso por defunto.